A gente vai acordar um dia amando uma pessoa e no outro dia vamos acordar decepcionado, e outro dia amando outra pessoa, e a vida seguirá assim…Até que um dia a gente vai encontrar uma pessoa e acordar um dia amando e no outro dia odiando, porém sabendo que por essa pessoa vale a pena acordar assim várias vezes.

maio 17, 2019

Maremoto


Faz alguns dias que o céu derrama suas águas sob nós, os dias ficaram mais frios, a noite chega mais cedo, é gostoso sentir a mudança do clima.
Aprecio estações, a ausência da inércia e o brilho do novo.
O problema mais grave em toda a tempestade é que ela traz a tona o mais sombrio da consciência, tudo o que fugimos em dias claros de sol nos assombram quando ele se vai. Não é que eu ame o sol porque tenho muito que esconder, mas talvez essa seja mais uma afirmação motivada pela falta de vontade de assumir que sou covarde.
Escondo em dias ensolarados tua ausência, corro pro mar por ser o meu único refugio, não deixo a minha mente se aquietar e me mostrar que estar não é ser.
Tudo o que tu me mostra é belo, me diz que vai chegar e o calor se apossa do meu corpo. Diz que tem saudade e o meu coração fraco se enche de dopamina e torna o batimento acelerado.
Sou mutável como o mar, nunca calmo, sempre profundo.
Sou tão inteira que quando tu me diz ser meu, custo acreditar que exista espaço pra alguém nessas águas tão inóspitas.
Tenho certezas tão incertas de memórias apagadas pela minha falta de coragem em aceitar a realidade. Cada passo para dentro é um passo para trás, eu te trouxe para tão longe que não entendo como conseguiu permanecer, tu ainda luta pra nadar nas minhas tempestades, e quando surge o sol tu boia tão bonito, me faz de lar.
Você é perola, eu sou ostra, me machuco e tu fica lindo. 
Mas faz questão em me contar que sou melhor do que penso, sem saber me apresenta um mundo menos crítico, mais simples e com mais risadas, fala pra mim que preocupação é passageira e desenha a solução nas constelações. Tu é pureza no meio de tanta maldade, é oxigênio que mata nossas células, mas nos mantém vivos.
Foi tu que me mostrou que amor é convivência, é maturidade, é palavra sem poema quando se quer falar da dor, o problema é que nasci com essa mania poética de romantizar as dores e falar de forma embaralhada, dizer tudo sem dizer nada, querer que me leiam nas entrelinhas.  Mas com você... com você eu aprendo que o poema é para leitores não para quem veio trazer a cura. Te escrevo sabendo que é para mim todas essas palavras.

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